Familiares levam corpo de bebê morto para frente da Pró-Matre
Exaltados e chamando os médicos de "assassinos", eles chegaram a abrir o caixão na recepção e provocaram muito tumulto
Revoltados após a morte do bebê na Pró-Matre, em Vitória, na quarta-feira (30), os familiares dos pais da criança voltaram à maternidade, nesta quinta-feira (31), com o corpo do neném dentro do caixão em forma de protesto. Muito exaltados e chamando os médicos do local de "assassinos", eles chegaram a abrir o caixão na recepção e provocaram muito tumulto.
A criança foi retirada morta por meio de parto normal forçado. A mãe chegou à maternidade na segunda-feira (28), quando iniciou o trabalho de parto, no entanto só foi atendida na quarta-feira (30).
O corpo do bebê foi liberado pelo pai nesta quinta-feira no Departamento Médico Legal (DML), na capital do Estado. Em seguida, os parentes foram até a maternidade com a criança. A avó do menino, Luciene Müller de Souza, 46 anos, estava muito nervosa e chegou a desmaiar.
Ela entrou na recepção aos gritos pedindo para que os médicos vissem o corpo do neném. "Eles têm que ver. Olha aqui o meu neto, olha essa coisa linda. Médicos assasinos!", disparou.
A tia da mãe do bebê, Daniela de Souza, também estava muito revoltada. Ela conta que participou do parto forçado da sobrinha e que outros óbitos foram registrados na Pró-Matre. "São cinco mortos, tirando o nosso. Eles estão se escondendo porque são todos frouxos para vir encarar a família. Ninguém da direção veio falar com a gente."
O protesto realizado por cerca de 20 familiares do bebê morto, incomodou alguns familiares de mães que estão internadas na maternidade. O conferente Sérgio Coutinho Neves, 31 anos, chamou a polícia e chegou a discutir com os parentes da vítima. "Eu entendo o lado dela, o sofrimento. Porque não é facil perder um filho. Mas tem que ver que tem outras mães se recuperando. Por isso eu liguei pra policia dar um jeito nisso. O que aconteceu com essa senhora foi fatalidade", disse.
Durante o protesto, outras famílias também denunciaram demora no atendimento na Pró-Matre. A avó de uma mãe que teve um filho na unidade nesta quinta-feira (31), Osvaldina dos Santos, disse que a neta teve que aguardar mais de 24 horas para ser atendida após iniciar o trabalho de parto. "Minha filha pediu para ganhar neném de cesariana. Ela veio quarta-feira pela manhã e só conseguiu ser atendida nesta quinta depois de forçarem o parto normal. Quando fizeram o parto, a bebê nasceu sem respirar e quase morreu".
A polícia chegou ao local quando os familiares já haviam saído da Pró-Matre. Policiais apenas conversou com o conferente para saber o que tinha acontecido.
A diretoria da maternidade Pró-Matre foi procurada pela equipe de reportagem, mas não foi encontrada. Um funcionário da unidade informou que foi aberta uma sindicância para apurar o caso e que, dentro de 15 dias, haverá uma resposta. Ele ainda disse que somente depois disso a direção irá se pronunciar.



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