Pai que jogou filhas de ponte mudou de roupa após o crime para não ser reconhecido

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No interrogatório, parentes afirmaram que o pedreiro, conhecido na região pelo apelido "Peixe Podre", era violento não só com a companheira com quem viveu junto por 14 anos, mas com os próprios pais.

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{article.get_image_caption} Foto: Reprodução

O inquérito do caso envolvendo o pedreiro Wilson da Conceição Barbosa, acusado de jogar as próprias filhas de 2 e 4 anos de cima de uma ponte, em Nova Almeida, na Serra, foi concluído na noite desta terça-feira (20), afirmou o titular da Delegacia de Crimes Contra à Vida (DCCV) Josafá da Silva. Durante as investigações, a polícia ouviu familiares do assassino e descobriu que, após a barbárie que cometeu, o pai das meninas ainda trocou de roupa para não ser identificado pela polícia.

O crime aconteceu na noite da terça-feira (13) e o acusado foi preso momentos depois, quando era espancado por moradores da região, revoltados com o duplo homicídio. De lá para cá, vários familiares dele, a mãe das crianças, e uma testemunha "chave" do caso foram intimados a prestar depoimento.

Em diversas ocasiões, contou o delegado Josafá da Silva, o acusado discutiu verbalmente com os genitores e chegou a agredi-los fisicamente. Uma dessas brigas, inclusive, teve um desfecho trágico.

"Ontem (segunda) a mãe dele prestou depoimento e disse que o filho era agressivo e já tinha agredido ela e o pai. Ela contou que numa dessas agressões, o pai dele teve um infarto e morreu".

Na última sexta-feira (16) uma testemunha considerada ocular pela polícia foi ouvida na DCCV. Segundo as investigações, essa pessoa presenciou todo o crime e teria acionado à polícia. Outro detalhe que chamou a atenção dos policiais foi a atitude tomada pelo pedreiro após o assassinato.

Sabendo que um grupo de militares o procurava, o acusado trocou de camisa para não ser identificado. "Fato que chamou a atenção é que ele testava com uma camisa azul no momento do crime e depois a trocou, vestindo uma camisa vermelha".

O que aconteceu antes do crime

Nesta terça-feira (20) foi a vez de Benilda, prima que cuidava das crianças na data do crime, prestar depoimento. À polícia, ela relatou que mãe e filha foram morar na casa dela após a separação do casal. Como precisava resolver problemas pessoais, Ana Lúcia deixou as filhas sob a responsabilidade da mulher.

Horas depois, a avó paterna foi até a residência onde as meninas estavam e pediu para sair com elas. Alegando não ter autorização para liberá-las, a Benilda não entregou as crianças. Mesmo assim, a mãe de Wilson permaneceu na casa por alguns minutos até que o pedreiro chamou por ela no portão.

Com a presença do filho, a aposentada pediu novamente para levar as netas, mas não conseguiu a permissão. Enquanto conversavam, conforme disse o delegado Josafá da Silva, a menina mais nova viu o pai e saiu ao encontro dele.

A menina abriu o portão, foi segurada no colo pela avó que, na sequência, a entregou ao acusado. Vendo a situação, a irmã mais velha também saiu, deu a mão a Wilson e, posteriormente, os três foram embora.

Após a separação, de acordo com Benilda, era normal que o pai ficasse com as filhas aos finais de semana mas, como ainda era sexta-feira e Ana Lúcia não estava em casa, "Peixe Podre" não tinha autorização para sair com as irmãs. Horas depois, elas foram jogadas da ponte.

Entenda o caso

Foto: Bruno Coelho
As duas crianças foram jogadas de uma ponte em Nova Almeida, na Serra, pelo próprio pai no final da tarde da última terça-feira (13). O corpo de Luciene da Conceição Barbosa, de quatro anos, foi encontrado na manhã de quarta-feira (14) em uma região conhecida como Posto da Lama, na Praia do Filé, no mesmo bairro.

Quando viu o corpo da filha, a mãe entrou em desespero e desmaiou. Chorando muito, ela precisou ser amparada. O corpo de Luciene da Conceição Barbosa, de quatro anos, a filha mais velha, estava inchado.

Uma testemunha, que não quis ter a identidade revelada, informou que o pai se aproximou do parapeito da ponte com as duas crianças. Ele simulou que mostraria a paisagem para as filhas e, então, as jogou no rio. Ao perceber que tinha sido flagrado, o homem saiu correndo em desespero.

Segundo a tia das meninas, Ana Cláudia Dortes, a avó paterna teria pegado as crianças para encontrar o pai, sem autorização da mãe.

Quando os populares souberam da prisão do acusado, correram na direção do DPM, na tentativa de linchar o pai das meninas. Ele foi preso em Costa Bela, enquanto era agredido por moradores da região. Wilson Barbosa declarou que jogou as crianças por amor à mãe delas. "Eu queria voltar para a mulher, que eu gosto dela. Amava minhas filhas demais".

Populares afirmaram que Wilson é alcoólatra e viciado em crack. A mãe das meninas se separou há cerca de dois meses e conseguiu na justiça um documento que proibia Wilson de se aproximar dela. Porém, a proibição não se estendia às filhas.


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