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Greve do Ifes completa 75 dias e prejudica alunos que farão o Enem

Após 75 dias de greve dos servidores técnico-administrativos e professores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), os alunos de 12 dos 17 campis da instituição continuam sem aulas. No campus de Vitória, que tem aproximadamente 4 mil estudantes, apenas professores de dois cursos (Engenharia Elétrica e Técnico em Eletrônica) estão em sala de aula. Pior para aqueles que vão encaram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Faltando quatro dias para os exames, o reitor do Ifes, Denio Rebello Arantes, alerta para o prejuízo causado pelos quase três meses sem aula. "Com certeza os alunos vão ser prejudicados, não tem como falar que não serão. Naturalmente não é um prejuízo absoluto, porque quem está fazendo o Enem teve dois anos e meio de preparação. Os estudantes não terão um prejuízo completo, mas com certeza eles vão ter prejuízos, não há dúvidas quanto a isso", afirmou.

O representante do comando de greve do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe - Ifes), Tiago de Araújo Camillo, afirma que, até o momento, o governo federal não deu resposta à categoria, com isso a greve continua. Tiago diz lamentar a situação dos alunos.

"Nós vemos com muita tristeza e lamentamos muito que os alunos estão sem aulas. Assim como nós queríamos estar trabalhando, eles querem estudar e são os maiores prejudicados pela greve. Mas nós não admitimos a postura que o governo e os nossos dirigentes têm tomado em relação à paralisação". As aulas, segundo o sindicato, serão repostas assim houver um acordo com o governo federal.

Além dos alunos que devem fazer os exames do Enem, os estudantes do último período de diversos cursos também estão se sentindo prejudicados. O aluno do curso Técnico em Metalurgia e Materiais, Marcelo Pereira Rizzi, 18 anos, destaca que vai demorar mais seis meses para se formar. "Em muitos cursos é obrigatório fazer estágio. A greve prejudicou a turma inteira que está participando desse processo de seleção de estágio, por exemplo. Os últimos períodos são os que saíram mais prejudicados, porque a gente vai ficar mais seis meses estudando".  

Em todo o país, os servidores que aderiram à greve exigem melhores condições de trabalho, concurso para professores habilitados, reajuste emergencial de salários de 14,67%, previsão de reajuste na Lei das Diretrizes Orçamentárias para 2012 e a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação. Os trabalhadores do Espírito Santo querem, ainda, auxílio transporte para professores que atuam fora do município de moradia e gestão democrática.


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