Emprego ideal tem incentivo para criar e rede social liberada
A psicóloga e especialista em desenvolvimento adulto e felicidade Angelita Scárdua afirma que os jovens querem ter no trabalho a mesma relação que possuem em casa com aparelhos eletrônicos. "A rotina dos jovens de hoje é pautada na relação com os aparelhos digitais. Dai vem a dificuldade de não ter acesso a esses dados. A expectativa deles é que no trabalho continuem podendo falar ao celular em reuniões, e façam tudo que fariam em casa", explica.
Além de estender o tempo online, a forma como a geração Y foi criada também interfere na relação dos jovens com o trabalho. "A geração que tem até 30 anos, por exemplo, cresceu em um contexto muito pouco rígido. Desta forma isso é levado para o ambiente de trabalho. Eles têm dificuldade em receber ordens, em aceitar críticas e outras formas de controle. Assim, na criação destas pessoas, cada um tinha um aparelho eletrônico, estavam sempre conectados. Antigamente todos tinham que dividir as coisas", explica Angelita.
Para manter as regalias que possuem em casa, como acesso a redes sociais e possibilidade de andar sempre com telefones e gadgets ligados, muitos jovens estão dispostos a abrir mão da remuneração. Angelita lembra ainda que muitos destes jovens ainda vivem com os pais, e por isso o dinheiro que recebem como remuneração é só uma complementação de renda, e não o necessário para viver.
Multitarefas e antenados
Se por uma lado os jovens não são muito bons em receber críticas, por outro são capazes de desempenhar várias funções ao mesmo tempo. Gerente de recursos humanos de uma empresa da capital, Eliana Machado explica que essa é outra característica da geração. "Na verdade, os jovens estão buscando mais conhecimento o tempo todo. Eles gostam de fazer várias coisas ao mesmo tempo e as empresas devem estar adaptadas a isso", acredita.
Contudo, Eliana ressalta que abrir mão de uma remuneração melhor ou até mesmo de direitos e benefícios trabalhistas é um fato preocupante. Ela diz ainda que muitos empresários não estão prontos para a nova forma com que a geração "Y" trabalha, e podem achar que os novos profissionais estão enrolando. Por isso, é importante dosar o acesso as redes sociais, por exemplo.
Meu escritório é na praia
Também consultor de recursos humanos, Glauber Coelho destaca que uma das características mais marcantes da atual geração é a vontade de aliar trabalho e lazer. E que por isso a conectividade dos novos profissionais é muito alta. "Mesmo não se levando em consideração a qualidade dos contato que fazem, ou que desenvolvem, mas sim a intensidade. Sonham em aliar trabalho com prazer e lazer", explica.
Ainda sobre as características do novo grupo de pessoas que chega ao mercado, Coelho diz que estudos destacam que essa geração adora receber retorno sobre o trabalho que desempenha. Ele alerta ainda que o mundo mudou, que as relações sociais não são mais as mesmas e que as empresas, para não perder jovens talentos devem se adaptar a essa nova realidade.

